Avdavida

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Que Claufe é este?

O mesmo, mas diferente, um poeta em estado de choque? Que ainda e sempre não deixa de cantar a infância e o amor? Um poeta como outro nenhum ou como todos que o antecederam – agora quem sabe mais irônico, debochado e até sarcástico, irritado com os rumos e rumores da paisagem atual e inatual do mundo. Claufe Rodrigues é poeta lotado nas palavras como no passado tivemos Jorge de Lima e Lêdo Ivo ou aquele distante Fernando Mendes Vianna que tanta atenção teve de José Guilherme Merquior. Murilo Mendes e Mário Quintana também abraçaram com mais constância os poemas longos e cantantes ao escrever poesia até mesmo em forma de crônica ou conto, como quem conta uma história ou lança uma provocação ao leitor. Todos poetas de ânimo varonil, oceânicos e, por vários caminhos, formalmente contidos quando necessário.

Sim, um dos segredos de Claufe Rodrigues é temperar-se nessa mesma forja, das exatidões transbordantes. Provocador, o poeta se multiplica nas palavras para se manter, ao fim e ao cabo, sonoro, mas em surdina. Este livro prolonga o seu sentimento do mundo, mas já sem a paciência de outros tempos; apesar de tudo, não duvida das antigas dúvidas e mantém o ardor da juventude, embora de maneira menos epidérmica e às vezes machucante. Enfim, poetas também amadurecem, isto é, se transformam no calendário litúrgico do tempo, assumem múltiplos rostos nesse mar oceano de ávidas vidas, e em outras avenidas aprimoram-se na sua missão. Porque todo poeta digno de seus planaltos não deixa de ser um missionário – e Claufe assume o legado no belo texto que abre o livro.

Que Claufe é este? Um Claufe consciente de sua missão e ainda mais destilado em sua matéria e estilo.

André Seffrin

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Informação adicional

Dimensões 14 × 21 cm
Páginas

76